Nem tudo é realmente esquecido.

22:13

Por Débora Queirós

Lembro quando no começo da minha adolescência discutia com os mais velhos -principalmente minha mãe - sobre os alertas de que as amizades não duram eternamente, que na troca de escolas e o pior, no fim dela, o adeus, à distância e o esquecimento iria ser algo inevitável, a falta que antes seria insuportável, se amenizaria até o dia em que seria normal não ter noticias dos que costumavam chamar de melhores amigos.

Naquela época era impossível imaginar uma situação assim, os juramentos de amizade eterna eram renovados a cada ano, a cada manhã, isso jamais aconteceria, aconteceria? Sim, desculpem decepcioná-los, as lágrimas acabaram de ocupar espaço no lugar onde elas deveriam não ter aparecido, é tão ruim esse sentimento de perda.

Ao perceber que isso era mesmo possível, me sinto uma criança descobrindo que o papai Noel e o coelhinho da páscoa não existem, sou tão ingênua, tão infantil, tão sonhadora... a esperança de que nem todos os amigos se vão ainda está guardada aqui, eu sei que haverá mudanças, eu sei que a intensidade de nossas conversas podem mudar, mas eu acredito que alguns nunca se vão, aliás, nenhum realmente vai embora. Uma parte, um jeito, uma maneira de agir ou falar sempre fica transparecendo em nós e isso é o que me conforta. Ninguém é realmente esquecido por completo.

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